Sinal Fechado // Copa projeta o futuro nos trilhos
A excelência em mobilidade durante a Copa do Mundo é uma exigência da Fifa para os países que se propõem a organizar a maior competição esportiva do planeta. Estipular um tempo de acesso até a arena e cumpri-lo à risca é algo que não pode sair da pauta do comitê organizador do Mundial, que recebe telefonemas (cobranças pesadas) da diretoria da Fifa de 15 em 15 dias. Em Pernambuco, a Cidade da Copa está no papel para ser o legado do estado pós-2014. Entre os corredores elaborados para facilitar o caminho à arena está o metrô.
| Estação foi inaugurada em 2009 e tem movimento dez vezes menor do que a central Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press |
Principalmente o metrô, diga-se. Orçada em R$ 5,85 milhões, a estação Cosme e Damião, que ficará a 700 metros do futuro estádio em São Lourenço da Mata, já está em franco processo de construção e deverá receber a grande maioria dos 46 mil torcedores a cada um dos quatro (ou cinco) jogos do Mundial no Grande Recife. A obra está prevista para acabar em dezembro. Assim, a capital pernambucana será a primeira das 12 subsedes do Mundial de 2014 a ligar o aeroporto à estação do estádio.
Hoje,o tempo do Aeroporto Internacional dos Guararapes até o terreno do estádio, considerando a espera na estação e o percurso, é de 1 hora e 15 minutos. Muito alto. A meta é tentar fixar o acesso em, no máximo, uma hora. O percurso passa por 17 das 28 estações da rede Metrorec e conta com a vantagem de ter uma tarifa unificada (R$ 1,40), além de uma rota direta - exceção feita à conexão na estação Joana Bezerra, para a troca da linha sul pela linha centro. Além do metrô, o estádio também está programado para receber o movimento tradicional no Recife para jogos de futebol, via carro - já inflado. O estacionamento tem capacidade para seis mil veículos e o tempo médio entre o Marco Zero e a arena (19 quilômetros) é de 30 minutos. Durante a Copa de 2014 é possível que sejam criados corredores exclusivos para facilitar o acesso até a Cidade da Copa. Depois disso, é melhor pensar em andar de metrô mesmo.
Em novembro do ano passado, em visita ao Recife, o consultor em transportes da Fifa, o belga Phillipe Bovy, afirmou, em entrevista ao Diario, que a entidade dispõe de um estudo que indica que o número de ingressos vendidos para os torcedores estrangeiros em 2014 poderá chegar a até 60% do total. Trazendo essa dado para Pernambuco, significa dizer que 27.728 bilhetes de cada partida deverão ser comercializados apenas para os turistas de fora do país. Daí, a necessidade imediata de melhorias na sinalização do metrô, com informações em português e inglês. Confira a "viagem" feita pela reportagem, antecipando o percurso que deverá reeducar muitos torcedores.
Hoje,o tempo do Aeroporto Internacional dos Guararapes até o terreno do estádio, considerando a espera na estação e o percurso, é de 1 hora e 15 minutos. Muito alto. A meta é tentar fixar o acesso em, no máximo, uma hora. O percurso passa por 17 das 28 estações da rede Metrorec e conta com a vantagem de ter uma tarifa unificada (R$ 1,40), além de uma rota direta - exceção feita à conexão na estação Joana Bezerra, para a troca da linha sul pela linha centro. Além do metrô, o estádio também está programado para receber o movimento tradicional no Recife para jogos de futebol, via carro - já inflado. O estacionamento tem capacidade para seis mil veículos e o tempo médio entre o Marco Zero e a arena (19 quilômetros) é de 30 minutos. Durante a Copa de 2014 é possível que sejam criados corredores exclusivos para facilitar o acesso até a Cidade da Copa. Depois disso, é melhor pensar em andar de metrô mesmo.
Em novembro do ano passado, em visita ao Recife, o consultor em transportes da Fifa, o belga Phillipe Bovy, afirmou, em entrevista ao Diario, que a entidade dispõe de um estudo que indica que o número de ingressos vendidos para os torcedores estrangeiros em 2014 poderá chegar a até 60% do total. Trazendo essa dado para Pernambuco, significa dizer que 27.728 bilhetes de cada partida deverão ser comercializados apenas para os turistas de fora do país. Daí, a necessidade imediata de melhorias na sinalização do metrô, com informações em português e inglês. Confira a "viagem" feita pela reportagem, antecipando o percurso que deverá reeducar muitos torcedores.
1- Aeroporto, o começo da aventura
Inaugurada em março de 2009, no último lote da Linha Sul do metrô, a estação do Aeroporto é moderna, limpa e pouco utilizada. Diariamente, 20 mil pessoas passam pelo trecho. Para se ter uma ideia, a linha tradicional (Centro) tem um fluxo dez vezes maior. A verdade é que o público da região ainda está se acostumando com a nova opção de transporte, com tratamento bem diferente do sistema de ônibus.
Após comprar a passagem (R$ 1,40) e passar na catraca eletrônica, basta subir a escada até o elevado e aguardar um pouco. Hoje, apenas três trens operam no sistema. Nesta semana, o Diario fez o percurso que ligará o ponto ao estádio da Copa. Durante a reportagem, a equipe esperou 17 minutos por um trem do metrô. Nesse tempo, três pré-adolescentes já associavam a estação ao futebol. Alexsandro Silva e Kalil Aragão, ambos de 11 anos, e Paulo Rick, de 10, aguadavam sentados no sentido oposto, para ir até Cajueiro Seco, para a aula na escolinha de futebol society. Perguntados sobre a possibilidade de ir até um estádiopelo metrô, Paulo lembrou logo da ordem do pai, que o proibiu de ir a jogos ("só quando for maior de idade"). Porém, ele perguntou se o caminho seria mais fácil. "Se for que nem esse metrô que a gente pega pra lá (em direção ao sul), acho que meu pai pode deixar", disse o garoto, antes da chegada do trem em direção ao Centro. Eles continuaram lá. A equipe seguiu.
Após comprar a passagem (R$ 1,40) e passar na catraca eletrônica, basta subir a escada até o elevado e aguardar um pouco. Hoje, apenas três trens operam no sistema. Nesta semana, o Diario fez o percurso que ligará o ponto ao estádio da Copa. Durante a reportagem, a equipe esperou 17 minutos por um trem do metrô. Nesse tempo, três pré-adolescentes já associavam a estação ao futebol. Alexsandro Silva e Kalil Aragão, ambos de 11 anos, e Paulo Rick, de 10, aguadavam sentados no sentido oposto, para ir até Cajueiro Seco, para a aula na escolinha de futebol society. Perguntados sobre a possibilidade de ir até um estádiopelo metrô, Paulo lembrou logo da ordem do pai, que o proibiu de ir a jogos ("só quando for maior de idade"). Porém, ele perguntou se o caminho seria mais fácil. "Se for que nem esse metrô que a gente pega pra lá (em direção ao sul), acho que meu pai pode deixar", disse o garoto, antes da chegada do trem em direção ao Centro. Eles continuaram lá. A equipe seguiu.
2- Joana Bezerra, a realidade
Foram apenas 13 minutos sobre os trilhos até chegar na estação de Joana Bezerra, uma das duas maiores do Metrorec, ao lado do Centro. Um tempo superior ao de espera na primeira estação. Na descida, um terminal envelhecido, sem o mesmo acabamento da etapa anterior. Uma modernização no local é essencial até 2014, por mais que os serviços funcionem com regularidade.
Acompanhada do neto de 1 ano, dona Cenina Nogueira, 44, acabou optando pelo metrô após a climatização de todos os trens. Para ela, falta uma divulgação maior da linha, apesar da estrutura. "Muita gente nem sabe que existe. Quando eu vi a segurança, deixei o ônibus. Se tiver mesmo como ir para o futebol pelo metrô, que não tenha a confusão dos ônibus", completou, se referindo às torcidas uniformizadas.
Após o trajeto interno até o ponto de parada da linha Camaragibe, um número considerável de passageiros presentes. No entanto, a maioria do público ainda trafega pela linha até Jaboatão - ambas passam no mesmo trilho. Nada de sistema de som, placar digital ou cores diferentes. Pessoas com necessidades especiais têm dificuldades na identificação dos trens. O mesmo deve acontecer com os turistas estrangeiros em 2014, se a situação não mudar.
Acompanhada do neto de 1 ano, dona Cenina Nogueira, 44, acabou optando pelo metrô após a climatização de todos os trens. Para ela, falta uma divulgação maior da linha, apesar da estrutura. "Muita gente nem sabe que existe. Quando eu vi a segurança, deixei o ônibus. Se tiver mesmo como ir para o futebol pelo metrô, que não tenha a confusão dos ônibus", completou, se referindo às torcidas uniformizadas.
Após o trajeto interno até o ponto de parada da linha Camaragibe, um número considerável de passageiros presentes. No entanto, a maioria do público ainda trafega pela linha até Jaboatão - ambas passam no mesmo trilho. Nada de sistema de som, placar digital ou cores diferentes. Pessoas com necessidades especiais têm dificuldades na identificação dos trens. O mesmo deve acontecer com os turistas estrangeiros em 2014, se a situação não mudar.
3- Uma estação por fazer, muita coisa para mudar
São mais 11 estações em direção ao subúrbio. Se nas estações o sistema de som não colabora com o passageiro, internamente o serviço funciona bem. A linha até Camaragibe foi inaugurada em dezembro de 2002. Antes, a rota acabava no TIP. Após a rodoviária, o visual urbano fica para trás.
Mas uma nova revolução está a caminho. Desde o dia 22 de fevereiro deste ano, ferro, madeira, concreto e gente trabalhando ao lado dos trilhos já mudaram bastante o cenário em Cosme e Damião, bem no meio das últimas paradas. São 30 operários das 7h às 17h, erguendo a nova estação. Valor da obra: R$ 5.850.094,94. Caso já existisse, a parada aconteceria faltando três minutos para o destino final, em Camaragibe.
Usuário da linha há cinco anos, o servente Marcos da Silva, de 27 anos, até elogiou o sistema, mas ressalvou a necessidade de mais trens. "Para funcionar mesmo, era bom que não demorasse tanto de um trem para o outro", disse ele, que mora no bairro de Alberto Maia. Hoje, o tempo de espera fica entre 15 e 18 minutos. Até oMundial, com um fluxo muito maior de pessoas (torcedores), a lacuna entre os trens deve ser reduzida para até dez minutos. Ou então será pontapé para um novo problema.
Mas uma nova revolução está a caminho. Desde o dia 22 de fevereiro deste ano, ferro, madeira, concreto e gente trabalhando ao lado dos trilhos já mudaram bastante o cenário em Cosme e Damião, bem no meio das últimas paradas. São 30 operários das 7h às 17h, erguendo a nova estação. Valor da obra: R$ 5.850.094,94. Caso já existisse, a parada aconteceria faltando três minutos para o destino final, em Camaragibe.
Usuário da linha há cinco anos, o servente Marcos da Silva, de 27 anos, até elogiou o sistema, mas ressalvou a necessidade de mais trens. "Para funcionar mesmo, era bom que não demorasse tanto de um trem para o outro", disse ele, que mora no bairro de Alberto Maia. Hoje, o tempo de espera fica entre 15 e 18 minutos. Até oMundial, com um fluxo muito maior de pessoas (torcedores), a lacuna entre os trens deve ser reduzida para até dez minutos. Ou então será pontapé para um novo problema.
Sinal Fechado // O universo urbano do papel
Projetos para recuperar a mobilidade do trânsito na Região Metropolitana do Recife já estão prontos. A Copa de 2014 pode torná-los reais
Por enquanto uma cidade ainda no papel, mas com a promessa de um futuro real: corredores exclusivos de ônibus sobre viadutos, modernas plataformas de embarque e desembarque, tempo de chegada e partida dos coletivos e, de quebra, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) para complementar a linha do metrô. Os desenhos, de um futuro que ainda não chegou, fazem parte de importantes projetos de mobilidade urbana previstos no Plano Diretor de Transporte Urbano até 2012, já projetando para o cenário da Copa do Mundo em 2014. Esses projetos são essenciais para desafogar a situação caótica no trânsito do Recife, apresentada pelo Diario desde domingo, onde as velocidades, em horário de pico, estão abaixo dos 10 km/h nas principais avenidas da cidade. Obras que podem dar uma chance para a cidade voltar a andar.
Eugênio Moraes, secretário de Transporte dePernambuco, fala sobre as obras viárias para melhoria da mobilidadeurbana - entre elas a Estrada da Batalha e o Viaduto da Pan Nordestina.Imagens: Tânia Passos/DP/D.A Press
Dos projetos previstos, três de corredores exclusivos de ônibus sequer foram licitados: Norte/Sul, Leste/Oeste e o da Avenida Norte. A última promessa é que a licitação ocorra ainda este mês. Também ainda no universo do papel, a segunda etapa da Via Mangue, projeto do município para desafogar o fluxo da Zona Sul. Só após a Via Mangue é que o Norte/Sul poderá ser totalmente implementado.
Com 43 quilômetros de extensão, o Norte/Sul, o maior entre os três corredores, ligará o terminal de integração de Igarassu, município da Região Metropolitana, até o terminal de Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes. Mas a sua primeira etapa está prevista até o terminal Joana Bezerra, no Recife. A restrição se dá porque não há como dividir o atual espaço da Domingos Ferreira, já saturada com o fluxo médio de 50 mil carros por dia, e um corredor exclusivo de ônibus. "A maior parte do fluxo da Domingos Ferreira será deslocada para a Via Mangue. Enquanto isso não for feito não há como implantar um corredor exclusivo de ônibus nessa via", explicou o secretário das Cidades, Dilson Peixoto.
Encomendado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE), o projeto do Norte/Sul foi elaborado pelo urbanista JaimeLerner, pioneiro na implantação de corredores exclusivos de ônibus no Brasil. O modelo de Transporte Rápido por Ônibus (TRO) contempla vias e faixas exclusivas para o tráfego dos coletivos e implantação de estações de embarque e desembarque. Todas elas com o piso do ônibus no mesmo nível da plataforma, a exemplo do metrô, pagamento da tarifa antes do embarque e ainda painéis eletrônicos para informar em tempo real o horário das linhas.
Com 43 quilômetros de extensão, o Norte/Sul, o maior entre os três corredores, ligará o terminal de integração de Igarassu, município da Região Metropolitana, até o terminal de Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes. Mas a sua primeira etapa está prevista até o terminal Joana Bezerra, no Recife. A restrição se dá porque não há como dividir o atual espaço da Domingos Ferreira, já saturada com o fluxo médio de 50 mil carros por dia, e um corredor exclusivo de ônibus. "A maior parte do fluxo da Domingos Ferreira será deslocada para a Via Mangue. Enquanto isso não for feito não há como implantar um corredor exclusivo de ônibus nessa via", explicou o secretário das Cidades, Dilson Peixoto.
Encomendado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE), o projeto do Norte/Sul foi elaborado pelo urbanista JaimeLerner, pioneiro na implantação de corredores exclusivos de ônibus no Brasil. O modelo de Transporte Rápido por Ônibus (TRO) contempla vias e faixas exclusivas para o tráfego dos coletivos e implantação de estações de embarque e desembarque. Todas elas com o piso do ônibus no mesmo nível da plataforma, a exemplo do metrô, pagamento da tarifa antes do embarque e ainda painéis eletrônicos para informar em tempo real o horário das linhas.
| Corredor norte/sul Foto: Setrans/Divulgação |
Já o corredor Leste/Oeste, que liga a Avenida Conde da Boa Vista à Avenida Caxangá, implantado há dois anos, sofrerá alterações para se adequar à proposta do TRO. "Além de requalicação das estações haverá uma expansão do trecho até o município de São Lourenço da Mata, que vai sediar a Copa de 2014", explicou Dilson Peixoto. O terceiro corredor exclusivo de ônibus, o da Avenida Norte, terá início na BR-101, a partir do terminal de integração da Macaxeira, Zona Norte do Recife, até a Avenida Cruz Cabugá, no centro. A proposta do projeto para evitar desapropriações é construir ocorredor sobre um elevado. O equipamento beneficiará, ao todo, 17 bairros daquela região e terá uma extensão de aproximadamente 8,1 km. O trecho elevado terá, segundo o projeto, cerca de 5 km, da entrada do Vasco da Gama até o viaduto da Agamenon Magalhães.
Um arco para acelerar o trânsito
A rodovia BR-101 corta o Recife de norte a sul desde a década de 1970, quando foi concluída a obra de integração viária dos estados litorâneos do país. No início, o volume de veículos na capital pernambucana (43 mil, em vez dos atuais 500 mil) não era uma preocupação. Mas a frota cresceu de maneira exponencial e bem acima da infraestrutura local. A estrada, hoje duplicada, acabou sendo engolida pela cidade. Já está localizada em uma área densamente povoada, principalmente no Ibura. Na prática, acabou se transformando em uma "avenida", já que muitos motoristas utilizam o acesso no dia a dia, dividindo a estrada com caminhões de carga pesada. Hoje, a velocidade média é de 50 km/h, muito abaixo de uma autoestrada de grande porte. Para desafogar esse trecho de 65 quilômetros, dentro do perímetro urbano do Grande Recife, já está sendo finalizado o plano executivo para a criação de um arco de 95 quilômetros de extensão, além da Região Metropolitana. Uma nova estrada de Ipojuca até Itamaracá, dando suporte viário aocrescimento do complexo industrial e portuário de Suape.
Dentro de quatro meses o projeto deverá ser finalizado, partindo para a segunda e trabalhosa etapa, que visa oficializar as licenças ambientais. Algo bem plausível, já que a futura estrada (um longo desvio da BR-101) vai atravessar canaviais e matas em uma área com uma densidade populacional de apenas 25 mil habitantes (estimativa). Fora o fato de que a estrada fica em zonas de preservação de mananciais, com quatro barragens nas proximidades. Somente depois disso é que a licitação será autorizada. Com uma visão otimista, o secretário de Transportes do estado, Eugênio Moraes, acredita que seja possível lançar o edital até 2012. Contudo, o orçamento desse projeto gigantesco ainda não foi divulgado.
"Com a conclusão desse arco metropolitano nós vamos tirar toda a carga pesada com transporte de carreta do Grande Recife. Precisamos logo terminar o projeto para correr atrás da parte financeira", afirma Eugênio. Segundo o Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), a primeira etapa do projeto, de Ipojuca até o cruzamento com a BR-232 (já na altura do município de Moreno), deveria ser executada até 2012. Assim, fica claro que o o arco já começa a sofrer um atraso, sobrecarregando ainda mais a via atual. O arco viário completo deverá ficar pronto até 2020.
Dentro de quatro meses o projeto deverá ser finalizado, partindo para a segunda e trabalhosa etapa, que visa oficializar as licenças ambientais. Algo bem plausível, já que a futura estrada (um longo desvio da BR-101) vai atravessar canaviais e matas em uma área com uma densidade populacional de apenas 25 mil habitantes (estimativa). Fora o fato de que a estrada fica em zonas de preservação de mananciais, com quatro barragens nas proximidades. Somente depois disso é que a licitação será autorizada. Com uma visão otimista, o secretário de Transportes do estado, Eugênio Moraes, acredita que seja possível lançar o edital até 2012. Contudo, o orçamento desse projeto gigantesco ainda não foi divulgado.
"Com a conclusão desse arco metropolitano nós vamos tirar toda a carga pesada com transporte de carreta do Grande Recife. Precisamos logo terminar o projeto para correr atrás da parte financeira", afirma Eugênio. Segundo o Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU), a primeira etapa do projeto, de Ipojuca até o cruzamento com a BR-232 (já na altura do município de Moreno), deveria ser executada até 2012. Assim, fica claro que o o arco já começa a sofrer um atraso, sobrecarregando ainda mais a via atual. O arco viário completo deverá ficar pronto até 2020.
Os projetos e seus prazos
Corredor Norte/Sul
43 km de extensão
R$ 180 milhões (recursos do PAC da Copa)
Licitação: prevista para junho de 2010
Início das obras: outubro de 2010
Término da obra previsto: julho de 2012
Corredor Leste/Oeste
R$ 75 milhões (recursos do PAC da Copa)
Licitação: prevista para junho de 2010
Término da obra previsto: setembro de 2012
Corredor da Avenida Norte
R$ 198 milhões (recursos do BNDES)
Licitação: prevista para junho de 2010
Início das obras: outubro de 2010
Término da obra previsto: dezembro de 2011
Ramal da copa - ligará a BR-408 à Avenida Caxangá
R$ 99 milhões
Início das obras: fevereiro de 2011
Término das obras previsto: dezembro de 2012
Via Mangue
4,75 km de extensão
R$ 331 milhões é o valor da obra
Edital de licitação: julho de 2010
Início das obras: janeiro de 2011
Término das obras previsto: junho de 2013
43 km de extensão
R$ 180 milhões (recursos do PAC da Copa)
Licitação: prevista para junho de 2010
Início das obras: outubro de 2010
Término da obra previsto: julho de 2012
Corredor Leste/Oeste
R$ 75 milhões (recursos do PAC da Copa)
Licitação: prevista para junho de 2010
Término da obra previsto: setembro de 2012
Corredor da Avenida Norte
R$ 198 milhões (recursos do BNDES)
Licitação: prevista para junho de 2010
Início das obras: outubro de 2010
Término da obra previsto: dezembro de 2011
Ramal da copa - ligará a BR-408 à Avenida Caxangá
R$ 99 milhões
Início das obras: fevereiro de 2011
Término das obras previsto: dezembro de 2012
Via Mangue
4,75 km de extensão
R$ 331 milhões é o valor da obra
Edital de licitação: julho de 2010
Início das obras: janeiro de 2011
Término das obras previsto: junho de 2013
Sinal Fechado // ... e o que começa a se tornar real
O martírio da travessia de cinco quilômetros no trecho da Estrada da Batalha,em Jaboatão dos Guararapes, principal acesso ao litoral Sul do estado, está mais perto do fim. A obra de requalificação da via com a construção de dois viadutos deverá ser concluída até agosto. A primeira etapa foi entregue no início do mês. Para se ter uma ideia do que a obra vai representar na mobilidade urbana, o tempo gasto do Aeroporto até o início da BR-101, que dá acesso às praias do litoral Sul, que pode chegar até 40 minutos, nos horários de pico, poderá ser feito em apenas seis minutos depois de concluída a obra.
| Viaduto da Estrada da Batalha, investimento para desafogar o trânsito na parte sul da Região Metropolitana do Recife, começa a virar realidade Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press |
O projeto de reforma da Estrada da Batalha, orçado em cerca de R$ 150 milhões, inclui ainda o túnel Maria Irene, Viaduto da Ferradura, Viaduto dos Prazeres, Praça Monumental, Centro Cultural, alargamento das pistas, iluminação e paisagismo. Os cinco quilômetros de extensão estão previstos para serem entregues à população em julho de 2011. O viaduto da Ferradura, localizado após o acesso da Avenida Armindo Moura, foi inaugurado no início de abril de 2010 e possui 336 metros de extensão.
Outro gargalo no sistema viário metropolitano, dessa vez no Complexo de Salgadinho em Olinda, por onde circulam diariamente cerca de 40 mil carros, deverá desafogar com a implantação dos dois viadutos da Pan Nordestina. A obra está prevista para ser concluída até o final do ano.
O Complexo de Salgadinho é a principal ligação entre os municípios de Recife, Olinda e Paulista e passará a ser também um dos equipamentos de mobilidade urbana para melhoria da infraestrutura para a Copa de 2014.
Inicialmente prevista para ser entregue em junho deste ano, a obra sofreu atrasos devido ao embargo feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A altura do viaduto teve que ser reduzida de 9,5 metros para 8 metros para não atrapalhar a visibilidade do Sítio Histórico. "O projeto teve que ser refeito e licitado novamente e acabou atrasando o nosso cronograma incial", explicou o secretário de Transportes do estado, Eugênio Moraes.
Apesar da importância desses dois equipamentos para melhorar a fluidez do tráfego nos acessos aos litorais Norte e Sul, essas obras são apenas uma pequena parte das intervenções previstas pelo Plano Diretor de Transporte Urbano. "Essas obras não irão resolver toda a questão da mobilidade no Grande Recife, mas são, sem dúvida, uma das intervenções viárias mais importantes das últimas três décadas", afirmou Eugênio Moraes.
Além dessas duas obras que estão em andamento, o secretário de Transportes ressaltou a duplicação da BR-408 em um trecho de 41 km e as intervenções para a duplicação da PE-60, entre Suape e Porto de Galinha. Outra obra é a requalificação da PE 38, que também dá acesso a Porto de Galinhas. Já a 3ª perimetral, com 6,2 km de extensão, que irá acompanhar a marginal do Rio Fragoso, de Olinda até a Ponte do Janga, só vai ser licitada em janeiro de 2011. "Ela é prioridade. Nós já terminamos o projeto executivo e estamos em fase de licitação através da Companhia Estadual de Habitação e Obras", afirmou Moraes.
Outro gargalo no sistema viário metropolitano, dessa vez no Complexo de Salgadinho em Olinda, por onde circulam diariamente cerca de 40 mil carros, deverá desafogar com a implantação dos dois viadutos da Pan Nordestina. A obra está prevista para ser concluída até o final do ano.
O Complexo de Salgadinho é a principal ligação entre os municípios de Recife, Olinda e Paulista e passará a ser também um dos equipamentos de mobilidade urbana para melhoria da infraestrutura para a Copa de 2014.
Inicialmente prevista para ser entregue em junho deste ano, a obra sofreu atrasos devido ao embargo feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A altura do viaduto teve que ser reduzida de 9,5 metros para 8 metros para não atrapalhar a visibilidade do Sítio Histórico. "O projeto teve que ser refeito e licitado novamente e acabou atrasando o nosso cronograma incial", explicou o secretário de Transportes do estado, Eugênio Moraes.
Apesar da importância desses dois equipamentos para melhorar a fluidez do tráfego nos acessos aos litorais Norte e Sul, essas obras são apenas uma pequena parte das intervenções previstas pelo Plano Diretor de Transporte Urbano. "Essas obras não irão resolver toda a questão da mobilidade no Grande Recife, mas são, sem dúvida, uma das intervenções viárias mais importantes das últimas três décadas", afirmou Eugênio Moraes.
Além dessas duas obras que estão em andamento, o secretário de Transportes ressaltou a duplicação da BR-408 em um trecho de 41 km e as intervenções para a duplicação da PE-60, entre Suape e Porto de Galinha. Outra obra é a requalificação da PE 38, que também dá acesso a Porto de Galinhas. Já a 3ª perimetral, com 6,2 km de extensão, que irá acompanhar a marginal do Rio Fragoso, de Olinda até a Ponte do Janga, só vai ser licitada em janeiro de 2011. "Ela é prioridade. Nós já terminamos o projeto executivo e estamos em fase de licitação através da Companhia Estadual de Habitação e Obras", afirmou Moraes.
Estrada da Batalha (PE-08)
Investimento: R$ 150 milhões
Obras: Túnel Maria Irene, Viadutor da Ferradura (pronto), Viaduto do Bandepe (pronto), Viaduto de Prazeres, Praça Monumental, Centro Cultural, alargamento das pistas, obras de arte, iluminação e paisagismo.
Extensão: 5,8 quilômetros
Prazo de conclusão: julho de 2011
Entregue no dia 1º de junho: viaduto do Bandepe, com 660 metros, quatro faixas de rolamento (R$ 12,5 milhões)
Três viadutos formam o complexo rodoviário de Prazeres
Viadutos das Avenidas Pan Nordestina e Presidente Kennedy (Olinda)
Investimento: R$ 33 milhões
Obra: construção de dois viadutos com 12 metros de largura, com três faixas de rolamento cada um, além de calçadas e arborização da via
Extensão: 572 metros
Prazo de conclusão: dezembro de 2010
Primeiro trecho deverá ser entregue em 30 de junho de 2010.
Programa de acesso a município não pavimentado (Proacesso)
Investimento: R$ 180 milhões
Proposta: pavimentar as pequenas estradas que ligam os municípios às BRs Municípiosbeneficiados: Granito, Quixaba e Manari (concluídos). Casinhas, Jucati, Carnaúbeira da Penha, Vertente do Lério, Santa Filomena e Ingazeira (com previsão de conclusão até o final de junho deste ano).
Programa de restauração da malha viária do estado (prorema)Duplicação da BR-104
Investimento: R$ 280 milhões
Proposta: interligação do Polo de confecção do Agreste, além de cortar o estado no sentido Norte/Sul, ligando o município de Caruaru aos estados da Paraíba e Alagoas.
Extensão: 51,40 quilômetrosPrazo para conclusão: maio de 2011
Duplicação da BR-408
Investimento: R$ 332 milhões
Proposta: promover uma maior intereção entre as atividades das regiões Metropolitana do Recife e da Zona da Mata, beneficiando o turismo e os polos de confecção, cerâmica, sucroalcooleiro e a futura cidade da Copa, em São Lourenço da Mata.
Extensão: 41 quilômetros
Investimento: R$ 150 milhões
Obras: Túnel Maria Irene, Viadutor da Ferradura (pronto), Viaduto do Bandepe (pronto), Viaduto de Prazeres, Praça Monumental, Centro Cultural, alargamento das pistas, obras de arte, iluminação e paisagismo.
Extensão: 5,8 quilômetros
Prazo de conclusão: julho de 2011
Entregue no dia 1º de junho: viaduto do Bandepe, com 660 metros, quatro faixas de rolamento (R$ 12,5 milhões)
Três viadutos formam o complexo rodoviário de Prazeres
Viadutos das Avenidas Pan Nordestina e Presidente Kennedy (Olinda)
Investimento: R$ 33 milhões
Obra: construção de dois viadutos com 12 metros de largura, com três faixas de rolamento cada um, além de calçadas e arborização da via
Extensão: 572 metros
Prazo de conclusão: dezembro de 2010
Primeiro trecho deverá ser entregue em 30 de junho de 2010.
Programa de acesso a município não pavimentado (Proacesso)
Investimento: R$ 180 milhões
Proposta: pavimentar as pequenas estradas que ligam os municípios às BRs Municípiosbeneficiados: Granito, Quixaba e Manari (concluídos). Casinhas, Jucati, Carnaúbeira da Penha, Vertente do Lério, Santa Filomena e Ingazeira (com previsão de conclusão até o final de junho deste ano).
Programa de restauração da malha viária do estado (prorema)Duplicação da BR-104
Investimento: R$ 280 milhões
Proposta: interligação do Polo de confecção do Agreste, além de cortar o estado no sentido Norte/Sul, ligando o município de Caruaru aos estados da Paraíba e Alagoas.
Extensão: 51,40 quilômetrosPrazo para conclusão: maio de 2011
Duplicação da BR-408
Investimento: R$ 332 milhões
Proposta: promover uma maior intereção entre as atividades das regiões Metropolitana do Recife e da Zona da Mata, beneficiando o turismo e os polos de confecção, cerâmica, sucroalcooleiro e a futura cidade da Copa, em São Lourenço da Mata.
Extensão: 41 quilômetros
Veículos leves e ecológicos
Na Estação Cajueiro Seco, da Linha Sul do Metrô do Recife (Metrorec), existe uma placa do destino Cabo de Santo Agostinho. A indicação posta há meses deixará de ser uma mera indicação a partir de agosto, quando o primeiro Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) começará a ser testado. A previsão é que funcione com passageiros no mês seguinte. Os primeiros trens desse tipo estão prontos em Barbalha (Ceará) e devem chegar ao Recife nas próximas semanas.
Movido a biodiesel, o primeiro VLT circulará a princípio na antiga linha do trem a diesel sem que ela tenha sido recuperada e ampliada em alguns trechos. O trem a diesel liga hoje o Centro do Cabo ao Curado, em Jaboatão dos Guararapes. Segundo assessor da Superintendência CBTU/Metrorec Leonardo Villar Beltrão, à frente do contrato VLT, todos os novos trens comprados estarão em funcionamento até março do próximo ano. Nesse tempo, adiantou, a malha ferroviária com destino ao Cabo terá sofrido as intervenções necessárias.
Sete composições foram compradas para operar entre Cajueiro Seco e Cabo de Santo Agostinho. Outras quatro composições devem ser compradas para a linha que sairá de Cajueiro Seco rumo ao Complexo Industrial e Portuário de Suape. Cada composição destinada ao terminal do Cabo terá três vagões, sendo que cada uma possui a capacidade de transportar 200 passageiros, quase cinco vezes mais do que um ônibus.
"Dependendo da necessidade, as composições podem aumentar", adiantou Leonardo. Isso porque existe a possibilidade de unir duas composições. Para Suape, cada composição terá seis vagões, devendo também entrar em funcionamento no próximo ano. Os R$ 83 milhões estão assegurados para a compra dos trens, reformas e construção das estações. Desse montante, R$ 72 milhões serão do governo federal e R$ 11 milhões seriam a contrapartida do estado.
Movido a biodiesel, o primeiro VLT circulará a princípio na antiga linha do trem a diesel sem que ela tenha sido recuperada e ampliada em alguns trechos. O trem a diesel liga hoje o Centro do Cabo ao Curado, em Jaboatão dos Guararapes. Segundo assessor da Superintendência CBTU/Metrorec Leonardo Villar Beltrão, à frente do contrato VLT, todos os novos trens comprados estarão em funcionamento até março do próximo ano. Nesse tempo, adiantou, a malha ferroviária com destino ao Cabo terá sofrido as intervenções necessárias.
Sete composições foram compradas para operar entre Cajueiro Seco e Cabo de Santo Agostinho. Outras quatro composições devem ser compradas para a linha que sairá de Cajueiro Seco rumo ao Complexo Industrial e Portuário de Suape. Cada composição destinada ao terminal do Cabo terá três vagões, sendo que cada uma possui a capacidade de transportar 200 passageiros, quase cinco vezes mais do que um ônibus.
"Dependendo da necessidade, as composições podem aumentar", adiantou Leonardo. Isso porque existe a possibilidade de unir duas composições. Para Suape, cada composição terá seis vagões, devendo também entrar em funcionamento no próximo ano. Os R$ 83 milhões estão assegurados para a compra dos trens, reformas e construção das estações. Desse montante, R$ 72 milhões serão do governo federal e R$ 11 milhões seriam a contrapartida do estado.
Solução que vem da integração
Os caminhos para melhoria do sistema de transporte público de passageiros na Região Metropolitana passam, obrigatoriamente, pelo Sistema Estrutural Integrado (SEI). Pensado nos anos 1980, o SEI funciona como uma rede por onde transitam 800 mil passageiros diariamente e é tido como "a menina dos olhos" da gestão estadual quando o assunto é transporte. Há reclamações de passageiros pelo tempo perdido nas "baldeações", que são as mudanças entre as linhas de ônibus. Ao mesmo tempo, há elogios ao alcance do sistema.
"Esperei um bom tempo pelo ônibus, mas isso foi recompensado pelo preço da passagem. Andei muito e vou gastar pouco", disse o agricultor Clóvis Paulo Ferreira, 46 anos. Na última segunda-feira, desembolsou menos de R$ 3,00 para se deslocar de Aldeia, em Camaragibe, para o Alto do Buriti, no Recife. Ele pegou três ônibus num percurso que durou cerca de duas horas. Diante dessa lógica, o montador Eronilde Antônio da Silva Júnior, 27, coloca a demora em segundo lugar se consideradas as tarifas. Para ganhar tempo, o montador sai diariamente de Igarassu até o Centro do Recife, onde toma o ônibus do Cabo e depois a linha para o Porto de Suape. "Poderia gastar menos indo para a Macaxeira, mas indo para o Centro é mais rápido", disse.
Esquecida por Eronildes, a Macaxeira é um dos mais movimentados do SEI, que possui hoje 13 terminais integrados na Região Metropolitana. "As alternativas para desafogar o trânsito dependem muito do SEI", entende o presidente do Grande Recife Consórcio de Transporte Dilson Peixoto. Dois terminais foram inaugurados nos últimos meses, o Pelópidas Silveira, em Paulista, e José Faustino, no Cabo de Santo Agostinho. Mais quatro estão sendo construídos: Cajueiro Seco, Tancredo Neves, Santa Luzia e Terminal Integrado de Passageiros (TIP). Há outros sete em processo de licitação ou aguardando desapropriações para o início das obras.
"Esperei um bom tempo pelo ônibus, mas isso foi recompensado pelo preço da passagem. Andei muito e vou gastar pouco", disse o agricultor Clóvis Paulo Ferreira, 46 anos. Na última segunda-feira, desembolsou menos de R$ 3,00 para se deslocar de Aldeia, em Camaragibe, para o Alto do Buriti, no Recife. Ele pegou três ônibus num percurso que durou cerca de duas horas. Diante dessa lógica, o montador Eronilde Antônio da Silva Júnior, 27, coloca a demora em segundo lugar se consideradas as tarifas. Para ganhar tempo, o montador sai diariamente de Igarassu até o Centro do Recife, onde toma o ônibus do Cabo e depois a linha para o Porto de Suape. "Poderia gastar menos indo para a Macaxeira, mas indo para o Centro é mais rápido", disse.
Esquecida por Eronildes, a Macaxeira é um dos mais movimentados do SEI, que possui hoje 13 terminais integrados na Região Metropolitana. "As alternativas para desafogar o trânsito dependem muito do SEI", entende o presidente do Grande Recife Consórcio de Transporte Dilson Peixoto. Dois terminais foram inaugurados nos últimos meses, o Pelópidas Silveira, em Paulista, e José Faustino, no Cabo de Santo Agostinho. Mais quatro estão sendo construídos: Cajueiro Seco, Tancredo Neves, Santa Luzia e Terminal Integrado de Passageiros (TIP). Há outros sete em processo de licitação ou aguardando desapropriações para o início das obras.
Sinal Fechado // O fator Suape
Crescimento econômico acelerado tem impacto direto no trânsito das cidades que ficam no entorno do Complexo Industrial e Portuário
O sol da manhã já era forte quando o desempregado Joctã Jetro Paulo da Silva, 32 anos, deixou o calor em segundo plano. Suado, andava rapidamente rumo ao Estaleiro Atlântico Sul. "Estou com uma entrevista marcada para daqui a pouco", falou sem interromper a caminhada. A caminhada era forçada. Sem o direito de viajar num dos 860 ônibus fretados pelas empresas, o soldador se valeu da única linha do sistema de transporte público que dá acesso ao Complexo Industrial e Portuário de Suape.
| Foto: Alcione Ferreira/DP/D.A Press |
A viagem saindo do Cabo foi rápida, mas com reclamação. Joctã queixou-se da distância do ponto do coletivo para o estaleiro e dos intervalos entre as viagens. Foram mais de dois quilômetros a pé percorridos por ele, distância grande para os que, sem-carro, sonham com um emprego no complexo que está mudando a econonia do estado. E que obriga os governos a ampliarem projetos e investimentos para a área de transporte.
Os números relacionados ao complexo justificam a preocupação com o que se pode chamar de fator Suape. No ano passado, a média diária de circulação de veículos no complexo ficou em 1.208 unidades. Dessas, 631 carros eram pesados. Entre esses estava o vai-e-vem dos ônibus da linha que liga o Cabo ao porto. A média deve crescer este ano.
"Fico impressionado. Todo dia tem gente diferente por aqui", constata o montador José Severino de Lima Filho, 37. Sem direito a usufruir dos 860 ônibus fretados, José Severino, morador de Igarassu, sonha com um transporte público de melhor qualidade no complexo. "Se ficar o que está aí não vai dar certo", complementou. A seu ver, seria bom que as melhorias viessem logo. Por razões simples. As obras da Refinaria Abreu e Lima, por exemplo, terão a quantidade de trabalhadores aumentada bastante. No empreendimento trabalham cerca de seis mil pessoas e deve alcançar nove mil até dezembro. Nem todos terão acesso a ônibus fretados pelas empresas.
As projeções animam a economia. Por outro lado, requerem planejamento e investimento alto. Se hoje cerca de 48 mil pessoas atuam no complexo daqui a dezanos deve ultrapassar os cem mil.
O Metrô do Recife (Metrorec) trabalha com uma demanda de 120 pessoas diárias em 2010 e estima uma demanda de 53 mil passageiros hoje. Na linha de ônibus exclusiva para o complexo, nos sentidos porto e Cabo, circula uma média de 1,3 mil passageiros por dia em apenas 34 viagens.
O pequeno número de viagens, segundo o Grande Recife Consórcio de Transporte, está adequado à demanda e constantamente avaliado para possíveis mudanças.
O operador de empilhadeira Luiz Bezerra, 53, soma-se a Joctã e a José Severino na lista dos 1,3 mil passageiros. E tem esperança de continuar por um bom tempo, embora sonhe em desembarcar na porta do trabalho. O desejo é justo. Depois de pegar dois ônibus até a empresa, Luiz, que havia acordado antes das 5h, se esforçou para pular as muretas de segurança que separam as vias internas do complexo. Apressou o passo para fugir do sol quente. Ficou atento aos carros que passavam, pois sonhava com uma carona.
Depois de onze minutos de caminhada, o milagreveio. Um ônibus parou. "Vocês também vão de carona?", gritou o operador para os repórteres do Diario já agarrado ao puxador da porta. Não podíamos contrariar Luiz, que de sorriso largo agradeceu ao motorista. "Ainda bem. Apareceu um filho de Deus", frisou. Metros adiante, José Severino e dois amigos também subiram no coletivo. Eram pouco mais das 7h.
Minutos depois, a afirmação da administração do Complexo de Suape de que os governos estadual e federal estavam atentos ao item transporte. Segundo o diretor de Gestão Fundiária e Patrimônio Inaldo Campelo, estão sendo investidos R$ 190 milhões em obras.
Os investimentos facilitam o acesso dos ônibus fretados, que só para o estaleiro são 120 diários, dos automóveis e dos veículos de carga. Incluem-se aí as duplicações das vias internas do complexo, a duplicação de trecho da PE-60 e a construção da via expressa. Essa via, com oito quilômetros, permitirá que os carros com destino ao complexo deixem de circular pelo trecho urbano da PE-60, no Cabo.
"O desafio é grande", admitiu Inaldo Campelo. Acrescente-se: exige ações rápidas e contínuas. Afinal, a velocidade de crescimento do complexo é assustador. Hoje são 96 empresas e há 29 empreendimentos em construção. A lista de ações inclui a recuperação da antiga linha ferroviária com o término no complexo.
Com estragos físicos aparentes, a velha Estação Massangana continua de pé e os trilhos tomados pelo matagal. O cronograma da recuperação ainda não foi fechado, mas, segundo o diretor, os recursos já estão assegurados. Serão R$ 83 milhões. Quando pronta, a linha contará com quatro veículos leves sobre trilho (VLTs). Cada veículo terá seis vagões, com capacidade de transportar 1,2 mil pessoas por viagem. Que sejam rápidos: o início de funcionamento e a velocidade de deslocamento.
Os números relacionados ao complexo justificam a preocupação com o que se pode chamar de fator Suape. No ano passado, a média diária de circulação de veículos no complexo ficou em 1.208 unidades. Dessas, 631 carros eram pesados. Entre esses estava o vai-e-vem dos ônibus da linha que liga o Cabo ao porto. A média deve crescer este ano.
"Fico impressionado. Todo dia tem gente diferente por aqui", constata o montador José Severino de Lima Filho, 37. Sem direito a usufruir dos 860 ônibus fretados, José Severino, morador de Igarassu, sonha com um transporte público de melhor qualidade no complexo. "Se ficar o que está aí não vai dar certo", complementou. A seu ver, seria bom que as melhorias viessem logo. Por razões simples. As obras da Refinaria Abreu e Lima, por exemplo, terão a quantidade de trabalhadores aumentada bastante. No empreendimento trabalham cerca de seis mil pessoas e deve alcançar nove mil até dezembro. Nem todos terão acesso a ônibus fretados pelas empresas.
As projeções animam a economia. Por outro lado, requerem planejamento e investimento alto. Se hoje cerca de 48 mil pessoas atuam no complexo daqui a dezanos deve ultrapassar os cem mil.
O Metrô do Recife (Metrorec) trabalha com uma demanda de 120 pessoas diárias em 2010 e estima uma demanda de 53 mil passageiros hoje. Na linha de ônibus exclusiva para o complexo, nos sentidos porto e Cabo, circula uma média de 1,3 mil passageiros por dia em apenas 34 viagens.
O pequeno número de viagens, segundo o Grande Recife Consórcio de Transporte, está adequado à demanda e constantamente avaliado para possíveis mudanças.
O operador de empilhadeira Luiz Bezerra, 53, soma-se a Joctã e a José Severino na lista dos 1,3 mil passageiros. E tem esperança de continuar por um bom tempo, embora sonhe em desembarcar na porta do trabalho. O desejo é justo. Depois de pegar dois ônibus até a empresa, Luiz, que havia acordado antes das 5h, se esforçou para pular as muretas de segurança que separam as vias internas do complexo. Apressou o passo para fugir do sol quente. Ficou atento aos carros que passavam, pois sonhava com uma carona.
Depois de onze minutos de caminhada, o milagreveio. Um ônibus parou. "Vocês também vão de carona?", gritou o operador para os repórteres do Diario já agarrado ao puxador da porta. Não podíamos contrariar Luiz, que de sorriso largo agradeceu ao motorista. "Ainda bem. Apareceu um filho de Deus", frisou. Metros adiante, José Severino e dois amigos também subiram no coletivo. Eram pouco mais das 7h.
Minutos depois, a afirmação da administração do Complexo de Suape de que os governos estadual e federal estavam atentos ao item transporte. Segundo o diretor de Gestão Fundiária e Patrimônio Inaldo Campelo, estão sendo investidos R$ 190 milhões em obras.
Os investimentos facilitam o acesso dos ônibus fretados, que só para o estaleiro são 120 diários, dos automóveis e dos veículos de carga. Incluem-se aí as duplicações das vias internas do complexo, a duplicação de trecho da PE-60 e a construção da via expressa. Essa via, com oito quilômetros, permitirá que os carros com destino ao complexo deixem de circular pelo trecho urbano da PE-60, no Cabo.
"O desafio é grande", admitiu Inaldo Campelo. Acrescente-se: exige ações rápidas e contínuas. Afinal, a velocidade de crescimento do complexo é assustador. Hoje são 96 empresas e há 29 empreendimentos em construção. A lista de ações inclui a recuperação da antiga linha ferroviária com o término no complexo.
Com estragos físicos aparentes, a velha Estação Massangana continua de pé e os trilhos tomados pelo matagal. O cronograma da recuperação ainda não foi fechado, mas, segundo o diretor, os recursos já estão assegurados. Serão R$ 83 milhões. Quando pronta, a linha contará com quatro veículos leves sobre trilho (VLTs). Cada veículo terá seis vagões, com capacidade de transportar 1,2 mil pessoas por viagem. Que sejam rápidos: o início de funcionamento e a velocidade de deslocamento.
Transporte no Complexo de Suape
860
ônibus fretados circulam diariamente
120
desses coletivos transportam funcionários do estaleiro 1 linha de ônibus ligada ao SEI
1,3 mil
passageiros são transportados diariamente
440 mil
veículos circularam no ano passado no complexo
230 mil
carros eram pesados
174 mil
eram leves
96
empresas instaladas
48 mil
pessoas trabalhando no local
15 mil
são empregos diretos
18 mil
são indiretos
15 mil
vagas geradas pela construção civil
190 mi
reais estão sendo investidos na duplicação de rodovias
11 km
será a extensão da linha ferroviária destinada ao VLT
Fontes: Administração de Suape, Grande Recife Consórcio de Transporte, CBTU/Metrorec
ônibus fretados circulam diariamente
120
desses coletivos transportam funcionários do estaleiro 1 linha de ônibus ligada ao SEI
1,3 mil
passageiros são transportados diariamente
440 mil
veículos circularam no ano passado no complexo
230 mil
carros eram pesados
174 mil
eram leves
96
empresas instaladas
48 mil
pessoas trabalhando no local
15 mil
são empregos diretos
18 mil
são indiretos
15 mil
vagas geradas pela construção civil
190 mi
reais estão sendo investidos na duplicação de rodovias
11 km
será a extensão da linha ferroviária destinada ao VLT
Fontes: Administração de Suape, Grande Recife Consórcio de Transporte, CBTU/Metrorec
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